Mania: Morder os lábios (puxo com os dentes quando estou nervosa, pensativa ou ansiosa)
Pecado capital: Gula (adoro um doce)
Melhor cheiro do mundo: Terra molhada em dia de chuva
Se dinheiro não fosse problema eu... Adiantaria algumas coisas que, por enquanto, estão sendo planejadas
Casos de infância: Adorava ficar penteando os cabelos da minha bisavó...
Como dona de casa: Sou ótima cozinheira
O que não gosta de fazer em casa: Não gosto de lavar roupa...
Desabilidades como dona de casa: Não consigo fazer nada da parte elétrica. Já tentei concertar um ventilador, mas ele acabou queimando...
Frase: "A saudade varia com o tamanho do amor"
Passeio pra alma: Olhar o céu numa noite estrelada
Passeio pro corpo: Uma tarde de domingo, um parque, um sol não tão forte e uma água O
O que me irrita: Quando não escutam o que eu falo
Frase ou palavra que falo muito: "Oxente", "Ô mainha", "Aff"...
Palavrão mais usado: PQP (principalmente quando dirijo)
Desce do salto e sobe no morro quando... Mentem para mim
Perfume que usa no momento: Day by Day, Água de Cheiro
Elogio favorito: "Ficou ótimo", em relação a algo que fiz
Talento oculto: Faço artesanato
Não importa o que seja moda, não uso nem no meu enterro: Essas calças que estão na moda e tem uma boca minúscula
Eu sou extremamente: Impaciente
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Kari Mendonça
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Bate bola
PS.: Os dias andam corrido. Passei a semana me arrumando pra viajar. Assim que tiver um tempinho, volto com algo bem legal. Ou, para contar das férias...
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
A base de sexo
Dia desses, estava mudando de canal (algo que faço com bastante freqüência) e me deparei com uma cidadã que havia feito fotos sensuais. Ela não parecia nenhuma “profissional” ou, pelo menos, pareceu ter feito pela primeira vez. Estava um pouco tímida (pouco) e me chamou a atenção quando percebi que falava sobre seu relacionamento de dois anos (não consegui descobrir se era um namoro ou casamento).
Ela comentou que a relação havia esfriado e foi esse o motivo das fotos sensuais. Em seguida, mudei o canal, mas não parei de pensar naquela mulher e em tantas outras pessoas que resumem um relacionamento ao sexo. O sexo faz parte. Mas não é a parte fundamental. Acredite, se o sexo esfriou, é porque muitas outras coisas também esfriaram, mas talvez, tenham passado despercebidas. As pessoas acreditam que se o sexo é bom, tudo vai ser bem, e não é bem assim.
O sexo pode ser ótimo, quente e muito prazeroso, mas quando os dois sentam para tomar café, por exemplo, falta assunto ou não se entendem. E com o tempo, a falta de assunto e os desentendimentos vão causando um mal estar, e em certo momento esse mal estar vai ser refletido no sexo. É preciso que as pessoas percebam que uma relação a dois depende de muitas coisas de todos os lados. É necessário ceder em algumas situações e também relevar algumas outras.
O relacionamento é baseado, principalmente na confiança. Sem ela, não há relação que continue por muito tempo. É baseado também na amizade. Mas, o que sustenta e salva qualquer situação é o diálogo. Se há algo errado (ou até se você acha que há), pergunte se está acontecendo alguma coisa. E se você foi perguntado e realmente houver algo errado, converse, fale o que está incomodando.
Muitas vezes as pessoas não ouvem o que querem e se calam. Não recebem o que querem e se calam. Mas esquecem-se que, se não falarem o que há de errado, dificilmente o outro saberá o que deve mudar. É fato que as mulheres gostam de fazer jogo e ficam séria, chateadas e demonstram de todas as formas que há algo errado, até que o homem pergunte o que fez de errado. E não há nada pior do que ouvir isso de um homem.
É por isso que as mulheres devem parar de jogar e os homens devem parar de fingir que tudo está bem quando não está, pois uma hora ou outra, a bomba vai acabar estourando e vai ser ainda pior. Acredito que se houver confiança e diálogo, não há como um relacionamento esfriar (exceto claro, quando tem que esfriar mesmo). E, com o diálogo em dia e os entendimentos também, pode ter certeza, não existe sexo mais gostoso.
Kari Mendonça
Ela comentou que a relação havia esfriado e foi esse o motivo das fotos sensuais. Em seguida, mudei o canal, mas não parei de pensar naquela mulher e em tantas outras pessoas que resumem um relacionamento ao sexo. O sexo faz parte. Mas não é a parte fundamental. Acredite, se o sexo esfriou, é porque muitas outras coisas também esfriaram, mas talvez, tenham passado despercebidas. As pessoas acreditam que se o sexo é bom, tudo vai ser bem, e não é bem assim.
O sexo pode ser ótimo, quente e muito prazeroso, mas quando os dois sentam para tomar café, por exemplo, falta assunto ou não se entendem. E com o tempo, a falta de assunto e os desentendimentos vão causando um mal estar, e em certo momento esse mal estar vai ser refletido no sexo. É preciso que as pessoas percebam que uma relação a dois depende de muitas coisas de todos os lados. É necessário ceder em algumas situações e também relevar algumas outras.
O relacionamento é baseado, principalmente na confiança. Sem ela, não há relação que continue por muito tempo. É baseado também na amizade. Mas, o que sustenta e salva qualquer situação é o diálogo. Se há algo errado (ou até se você acha que há), pergunte se está acontecendo alguma coisa. E se você foi perguntado e realmente houver algo errado, converse, fale o que está incomodando.
Muitas vezes as pessoas não ouvem o que querem e se calam. Não recebem o que querem e se calam. Mas esquecem-se que, se não falarem o que há de errado, dificilmente o outro saberá o que deve mudar. É fato que as mulheres gostam de fazer jogo e ficam séria, chateadas e demonstram de todas as formas que há algo errado, até que o homem pergunte o que fez de errado. E não há nada pior do que ouvir isso de um homem.
É por isso que as mulheres devem parar de jogar e os homens devem parar de fingir que tudo está bem quando não está, pois uma hora ou outra, a bomba vai acabar estourando e vai ser ainda pior. Acredito que se houver confiança e diálogo, não há como um relacionamento esfriar (exceto claro, quando tem que esfriar mesmo). E, com o diálogo em dia e os entendimentos também, pode ter certeza, não existe sexo mais gostoso.
Kari Mendonça
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Andrea foi embora.
Oi Mãe, oi Pai.
Não queria que as coisas fossem assim, mas não tinha outro jeito. Eu tive que ir embora. E antes que pensem, vocês não vão encontrar o meu corpo no banheiro e nem adianta olhar pela janela. Há essa hora, já devo estar bem longe, e não adianta correr pela vizinhança. Eu não fui para casa de nenhuma amiga e nem para a casa dos pais do Marcelo. Eu realmente fui embora. Estou a caminho de Florianópolis e, de lá, seguirei para Chapecó.
O celular, eu não levei e peço que me desculpem, mas eu realmente preciso de um tempo sozinha. Assim que as coisas se ajeitarem, eu mando notícias, não se preocupem. Sei que vocês devem estar preocupados, com raiva e, acima de tudo, decepcionados, mas eu espero que, de alguma forma, vocês me entendam. Não dá para seguir em frente estando aí. Dói demais olhar esse quarto, andar pelas ruas. A cada restaurante que vou, tenho uma lembrança e a saudade aperta e a dor não vai embora nunca.
É difícil entender, mas, para vocês, o Marcelo era apenas “um bom rapaz”, mas para mim, ele era muito mais que isso. Eu planejei toda a minha vida ao lado dele. E no dia que ele me deu aquela aliança, eu sabia que só poderia ser feliz ao lado dele. E juntos fizemos planos e sonhamos. Fizemos projetos e estávamos caminhando para que tudo corresse bem. Ah! Eu ainda não tinha lhes falado, mas, naquela semana, nós havíamos ido olhar apartamentos, e chegamos até a escolher um.
Nos últimos cinco anos, cada vez que eu pensei em um filho, era o Marcelo que eu via como pai, como meu companheiro. Ele era mais que um noivo e futuro marido, Mãe. Ele era o meu melhor amigo, meu comparsa, meu amante. Eu costumava dizer que ele era meu anjo da guarda. Será que esse foi meu erro? Bom, agora eu tenho certeza que ele é o meu anjo da guarda, mais que nunca. E, de alguma forma, ele está olhando por mim lá de cima. Mas sabe, saber disso não é suficiente para seguir a vida.
O Marcelo me entendia como ninguém. E Pai, ele sempre te dava razão nas nossas brigas, sabia? E me fazia repensar em tudo que eu havia dito. Ele tinha um carinho sem tamanho por vocês e não havia uma única vez que ele não perguntasse de vocês. Eu o amo muito e espero que vocês nunca duvidem disso. E o amarei eternamente, mesmo sabendo que um dia estarei com outro alguém ao meu lado. Viram? Eu não estou tão mal quanto vocês pensam. Eu sei que a vida vai continuar, e que vou aprender a viver sem ele.
Mas é que não dá para fazer isso estando aí. Nessa cama, em que chorei tantas vezes em seus braços. Ou na rua, onde sempre íamos comprar o pão. Ou naquele shopping que costumávamos ir nas noites de sexta-feira. Tudo me lembra o Marcelo nessa cidade. E se passo por um restaurante que sequer conheço, lembro que ele prometeu me levar lá. Imagina eu ir lá com outra pessoa? Não seria justo. E foi por tudo isso, e por precisar seguir em frente, da minha maneira, que eu estou indo para Chapecó.
Quanto a questão de sobrevivência, não se preocupem. Já mandei currículos para vários lugares e até tenho uma entrevista marcada. Não pensem que essa foi uma decisão de última hora ou coisa impensada. Eu e o Marcelo tínhamos uma poupança juntos e sempre conversamos que, caso acontecesse algo com um de nós, o outro deveria usar o dinheiro para começar do zero. E, para falar a verdade, até procuramos no mapa, numa brincadeira, um lugar para onde iríamos sozinhos.
O Marcelo, com os olhos fechados, escolheu Chapecó. Na minha vez de escolher, a mãe dele nos chamou para jantar. Por isso, esse foi o destino escolhido. É onde o Marcelo começaria do zero, que eu resolvi recomeçar. Eu nunca vou esquecê-lo, porque ele sempre vai ser o amor da minha vida. Mas eu espero que vocês entendam que eu preciso de um tempo para aceitar tudo o que aconteceu nos últimos meses.
Ligarei em breve, não se preocupem. Amo muito vocês e espero, de verdade, que vocês me compreendam.
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Não queria que as coisas fossem assim, mas não tinha outro jeito. Eu tive que ir embora. E antes que pensem, vocês não vão encontrar o meu corpo no banheiro e nem adianta olhar pela janela. Há essa hora, já devo estar bem longe, e não adianta correr pela vizinhança. Eu não fui para casa de nenhuma amiga e nem para a casa dos pais do Marcelo. Eu realmente fui embora. Estou a caminho de Florianópolis e, de lá, seguirei para Chapecó.
O celular, eu não levei e peço que me desculpem, mas eu realmente preciso de um tempo sozinha. Assim que as coisas se ajeitarem, eu mando notícias, não se preocupem. Sei que vocês devem estar preocupados, com raiva e, acima de tudo, decepcionados, mas eu espero que, de alguma forma, vocês me entendam. Não dá para seguir em frente estando aí. Dói demais olhar esse quarto, andar pelas ruas. A cada restaurante que vou, tenho uma lembrança e a saudade aperta e a dor não vai embora nunca.
É difícil entender, mas, para vocês, o Marcelo era apenas “um bom rapaz”, mas para mim, ele era muito mais que isso. Eu planejei toda a minha vida ao lado dele. E no dia que ele me deu aquela aliança, eu sabia que só poderia ser feliz ao lado dele. E juntos fizemos planos e sonhamos. Fizemos projetos e estávamos caminhando para que tudo corresse bem. Ah! Eu ainda não tinha lhes falado, mas, naquela semana, nós havíamos ido olhar apartamentos, e chegamos até a escolher um.
Nos últimos cinco anos, cada vez que eu pensei em um filho, era o Marcelo que eu via como pai, como meu companheiro. Ele era mais que um noivo e futuro marido, Mãe. Ele era o meu melhor amigo, meu comparsa, meu amante. Eu costumava dizer que ele era meu anjo da guarda. Será que esse foi meu erro? Bom, agora eu tenho certeza que ele é o meu anjo da guarda, mais que nunca. E, de alguma forma, ele está olhando por mim lá de cima. Mas sabe, saber disso não é suficiente para seguir a vida.
O Marcelo me entendia como ninguém. E Pai, ele sempre te dava razão nas nossas brigas, sabia? E me fazia repensar em tudo que eu havia dito. Ele tinha um carinho sem tamanho por vocês e não havia uma única vez que ele não perguntasse de vocês. Eu o amo muito e espero que vocês nunca duvidem disso. E o amarei eternamente, mesmo sabendo que um dia estarei com outro alguém ao meu lado. Viram? Eu não estou tão mal quanto vocês pensam. Eu sei que a vida vai continuar, e que vou aprender a viver sem ele.
Mas é que não dá para fazer isso estando aí. Nessa cama, em que chorei tantas vezes em seus braços. Ou na rua, onde sempre íamos comprar o pão. Ou naquele shopping que costumávamos ir nas noites de sexta-feira. Tudo me lembra o Marcelo nessa cidade. E se passo por um restaurante que sequer conheço, lembro que ele prometeu me levar lá. Imagina eu ir lá com outra pessoa? Não seria justo. E foi por tudo isso, e por precisar seguir em frente, da minha maneira, que eu estou indo para Chapecó.
Quanto a questão de sobrevivência, não se preocupem. Já mandei currículos para vários lugares e até tenho uma entrevista marcada. Não pensem que essa foi uma decisão de última hora ou coisa impensada. Eu e o Marcelo tínhamos uma poupança juntos e sempre conversamos que, caso acontecesse algo com um de nós, o outro deveria usar o dinheiro para começar do zero. E, para falar a verdade, até procuramos no mapa, numa brincadeira, um lugar para onde iríamos sozinhos.
O Marcelo, com os olhos fechados, escolheu Chapecó. Na minha vez de escolher, a mãe dele nos chamou para jantar. Por isso, esse foi o destino escolhido. É onde o Marcelo começaria do zero, que eu resolvi recomeçar. Eu nunca vou esquecê-lo, porque ele sempre vai ser o amor da minha vida. Mas eu espero que vocês entendam que eu preciso de um tempo para aceitar tudo o que aconteceu nos últimos meses.
Ligarei em breve, não se preocupem. Amo muito vocês e espero, de verdade, que vocês me compreendam.
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Beijos, Andrea.
Beijos, Andrea.
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Kari Mendonça
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Pensamentos sobre a morte...
Já faz alguns dias que venho pensando sobre a morte. A maior causa foi uma vontade súbita que tive de ir visitar uma tia, até me lembrar que ela não estava em casa e que eu não poderia vê-la de outra forma, se não pelas fotos. O peito apertou e a saudade voltou com força. Lembrei de todos os que me fazem falta e eu não posso ir visitá-los. E comecei a pensar nas consequências da morte e, mais uma vez, lembrei da música do Leoni (sim, sempre ele).
A frase que diz que o pior é pensar que aquela dor vai cicatrizar, martela na minha cabeça com uma intensidade sem tamanho. E me revolta, ás vezes. Quando perdemos alguém, é uma dor imensa, uma saudade forte e uma desilusão. Tudo o que queremos é parar e não seguir, não sem aquela presença na nossa vida. É difícil imaginar a vida sem aquelas avós ou aquele tio, aquela tia... Muitos sofrem conosco, e todos seguimos, apesar da dor.
Ás vezes eu percebo que as pessoas realmente seguiram a vida e eu me pergunto se elas não sentem falta. Quanta injustiça a minha! Afinal, eu também segui, mesmo com a falta. Ás vezes me questiono se as coisas estariam onde estão se aquelas pessoas estivessem vivas e percebo que não, que as coisas (todas elas, na verdade), não estariam assim. Pessoas não existiriam, outras não teriam ido para longe, casamentos não teriam acontecido...
E é até sem querer que eu fico tentando fazer um paralelo e tentando imaginar se tudo estaria melhor com aquela pessoa ao meu lado. Pergunto-me também, como seria se não tivéssemos seguido em frente, mas percebo que não há como imaginar tudo isso. Seguimos em frente e isso é fato. As coisas mudaram e seguiram outros rumos e isso também é um fato. A saudade estará sempre presente na vida de quem fez parte daquele que se foi, mas a vida não para.
Quando me dei conta de que não poderia visitar a minha tia, lembrei-me de quando acordei na sua casa, e era dia do meu aniversário. Ela havia ido até o supermercado e trouxe um bolo para comemorar. E foi naquele momento que eu pensei que não queria ter seguido em frente. Não sem as coisas que perdi. Não queria ter seguido sem aquele bolo no aniversário ou sem aquele abraço tão forte que ela sempre me dava.
Não queria seguir em frente, sem dormir na rede amarela da minha avó, ouvindo-a cantar "oh! Lua branca de fulgores...". Ou sem o bolinho de fubá e o pão com queijo "de copo". Não queria seguir sem os abraços da minha outra avó, sem sua risada e seus comentários sempre engraçados ou irônicos. Não sem aquela peruca engraçada que meu tio usava para contar as piadas com duplo sentido que eu nunca entendia.
Eu não queria ter seguido em frente sem eles. Mas a vida não para enquanto ainda se está vivo. E eu segui em frente. E as pessoas ao redor também. E aquela dor intensa cicatrizou, diminuiu, mas nunca vai acabar. E a morte... Ah! A morte! Essa, ainda vai me fazer pensar muito...
Kari Mendonça
A frase que diz que o pior é pensar que aquela dor vai cicatrizar, martela na minha cabeça com uma intensidade sem tamanho. E me revolta, ás vezes. Quando perdemos alguém, é uma dor imensa, uma saudade forte e uma desilusão. Tudo o que queremos é parar e não seguir, não sem aquela presença na nossa vida. É difícil imaginar a vida sem aquelas avós ou aquele tio, aquela tia... Muitos sofrem conosco, e todos seguimos, apesar da dor.
Ás vezes eu percebo que as pessoas realmente seguiram a vida e eu me pergunto se elas não sentem falta. Quanta injustiça a minha! Afinal, eu também segui, mesmo com a falta. Ás vezes me questiono se as coisas estariam onde estão se aquelas pessoas estivessem vivas e percebo que não, que as coisas (todas elas, na verdade), não estariam assim. Pessoas não existiriam, outras não teriam ido para longe, casamentos não teriam acontecido...
E é até sem querer que eu fico tentando fazer um paralelo e tentando imaginar se tudo estaria melhor com aquela pessoa ao meu lado. Pergunto-me também, como seria se não tivéssemos seguido em frente, mas percebo que não há como imaginar tudo isso. Seguimos em frente e isso é fato. As coisas mudaram e seguiram outros rumos e isso também é um fato. A saudade estará sempre presente na vida de quem fez parte daquele que se foi, mas a vida não para.
Quando me dei conta de que não poderia visitar a minha tia, lembrei-me de quando acordei na sua casa, e era dia do meu aniversário. Ela havia ido até o supermercado e trouxe um bolo para comemorar. E foi naquele momento que eu pensei que não queria ter seguido em frente. Não sem as coisas que perdi. Não queria ter seguido sem aquele bolo no aniversário ou sem aquele abraço tão forte que ela sempre me dava.
Não queria seguir em frente, sem dormir na rede amarela da minha avó, ouvindo-a cantar "oh! Lua branca de fulgores...". Ou sem o bolinho de fubá e o pão com queijo "de copo". Não queria seguir sem os abraços da minha outra avó, sem sua risada e seus comentários sempre engraçados ou irônicos. Não sem aquela peruca engraçada que meu tio usava para contar as piadas com duplo sentido que eu nunca entendia.
Eu não queria ter seguido em frente sem eles. Mas a vida não para enquanto ainda se está vivo. E eu segui em frente. E as pessoas ao redor também. E aquela dor intensa cicatrizou, diminuiu, mas nunca vai acabar. E a morte... Ah! A morte! Essa, ainda vai me fazer pensar muito...
Kari Mendonça
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Três anos e um monte de coisas...
Final de semestre é sempre turbulento. Quando o computador quebra, dificulta tudo. E quando mistura o computador quebrado e o final do semestre, não tem quem aguente. E foi por esses motivos que deixei um dia tão especial passar em branco. Há três anos o dia 13 de junho foi especial pra mim, pois nasceu esse blogue. E além de me ajudar imensamente com os desabafos, ele também me trouxe presentes maravilhosos e pessoas mais que especiais.
Creio que já devo ter comentado isso em alguns dos outros aniversários, mais o blogue surgiu de um momento de angústia. O texto publicado no dia 13/06, "De luto pelo meu Brasil", foi, na verdade, escrito no dia 07 e publicado no meu extinto fotolog. Lembro bem que estava na aula de História Geral quando resolvi escrevê-lo. Ás lágrimas quase me caíram dos olhos e a desilusão era tremenda.
Era tristeza pelo Brasil. Tristeza essa que só aumenta. É um luto que não acaba mais. Mas é uma vontade de querer tudo diferente que é ainda maior que tudo isso. Eu ainda não consigo aceitar muitas das coisas que eu vejo por aí e esse ainda não é o país que eu quero pra mim, sabe? Mas, como eu disse no ano passado, ainda é o meu país e é por isso que eu continuo aqui, disposta a fazer alguma coisa.
Para começar, que tipo de políticos são esses? Que sequer sabem a função de um jornalista? Ou melhor, que até sabem, mas que se deixam comprar, sendo contrários aos interesses da população. É o mesmo país onde esses ministros que não se importam, de verdade, com o cidadão, recebem um salário de quase 25 mil reais, enquanto metade da população sobrevive com um salário mínimo, que não chega aos 500 reais.
E que país é esse onde a justiça é uma das mais lentas do mundo? E que defende os bandidos de todas as formas possíveis? Eu sei que a infância é um momento único da vida, mas, se desde a infância a criança ou adolescente não sabe agir como cidadão, porque ele merece sair pelas ruas como se nada tivesse acontecido, ou se nada tivessem feito? Porque todo mundo sabe que essas casas de reabilitação para "menores infratores", só serve para torná-los "maiores infratores".
É tanta injustiça. Tanta desigualdade. E tanta desorganização, que eu só posso continuar com o meu luto. Sim, o luto pelo meu Brasil, porque eu ainda acredito que ele pode ser melhor. De alguma forma, eu ainda acredito.
Kari Mendonça
Creio que já devo ter comentado isso em alguns dos outros aniversários, mais o blogue surgiu de um momento de angústia. O texto publicado no dia 13/06, "De luto pelo meu Brasil", foi, na verdade, escrito no dia 07 e publicado no meu extinto fotolog. Lembro bem que estava na aula de História Geral quando resolvi escrevê-lo. Ás lágrimas quase me caíram dos olhos e a desilusão era tremenda.
Era tristeza pelo Brasil. Tristeza essa que só aumenta. É um luto que não acaba mais. Mas é uma vontade de querer tudo diferente que é ainda maior que tudo isso. Eu ainda não consigo aceitar muitas das coisas que eu vejo por aí e esse ainda não é o país que eu quero pra mim, sabe? Mas, como eu disse no ano passado, ainda é o meu país e é por isso que eu continuo aqui, disposta a fazer alguma coisa.
Para começar, que tipo de políticos são esses? Que sequer sabem a função de um jornalista? Ou melhor, que até sabem, mas que se deixam comprar, sendo contrários aos interesses da população. É o mesmo país onde esses ministros que não se importam, de verdade, com o cidadão, recebem um salário de quase 25 mil reais, enquanto metade da população sobrevive com um salário mínimo, que não chega aos 500 reais.
E que país é esse onde a justiça é uma das mais lentas do mundo? E que defende os bandidos de todas as formas possíveis? Eu sei que a infância é um momento único da vida, mas, se desde a infância a criança ou adolescente não sabe agir como cidadão, porque ele merece sair pelas ruas como se nada tivesse acontecido, ou se nada tivessem feito? Porque todo mundo sabe que essas casas de reabilitação para "menores infratores", só serve para torná-los "maiores infratores".
É tanta injustiça. Tanta desigualdade. E tanta desorganização, que eu só posso continuar com o meu luto. Sim, o luto pelo meu Brasil, porque eu ainda acredito que ele pode ser melhor. De alguma forma, eu ainda acredito.
Kari Mendonça
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